Presidente da Câmara diz que apenas tentou entrar em sua casa
Luiz Alves/Secom Câmara
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O vereador Júlio Pinheiro (PTB) reuniu a imprensa para se explicar
LAÍSE LUCATELLI
DA REDAÇÃO
O presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Júlio Pinheiro (PTB), disse há pouco, em entrevista coletiva à imprensa, que não ameaçou sua esposa com um garfo de churrasqueiro, na madrugada da última sexta-feira (6).DA REDAÇÃO
Ele disse que "apenas tentou" entrar em sua residência e que, em nenhum momento, ameaçou a esposa. O vereador admitiu, ainda, ter problemas com alcoolismo.
À polícia, sua esposa Gysele Carolina Lacerda Pinheiro, de 32 anos, deu outra versão. Ela contou que o vereador estava bastante "embriagado", que jogou pedras nas vidraças da casa e a ameaçou, tanto que ela teve que se trancar no quarto e acionar a Polícia Militar.
O vereador admitiu que misturou bebida alcóolica com medicamentos. "Eu tomo mais de 10 remédios por dia, para diabetes, pressão alta, ansiedade. Foi um erro [ter misturado remédio com bebida]. Mas eu queria apenas entrar na minha casa. Não tentei invadir a casa de ninguém. E em nenhum momento ameacei minha esposa", disse Pinheiro.
“Quem nunca discutiu com seu marido ou sua esposa? Errei, sim, e tenho esse problema com a bebida. Mas nunca bati em mulher nenhuma, muito menos na minha esposa”, afirmou.
Pinheiro negou, ainda, que a polícia tenha sido acionada a pedido de Gysele. “Algum vizinho deve ter ouvido eu tentando entrar e chamou a polícia. Não foi a minha esposa quem chamou os policiais, tanto que ela nem representou contra mim. Vocês acham que uma mulher zangada, que foi agredida às 3h da manhã, me perdoaria? Ela com certeza teria representado contra mim”, raciocinou o vereador.
Consequências
Júlio Pinheiro disse que espera por um parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vai analisar se o caso configura quebra de decoro ou pode levar a algum processo no Legislativo.
“É a CCJ que vai dizer se cabe um processo na Comissão de Ética, a instalação de uma Comissão Processante [CP] ou até mesmo uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] para apurar o ocorrido. Eu mesmo vou pedir a eles que façam um parecer”, declarou o vereador.
A CCJ é composta pelos vereadores Antonio Fernandes (PSDB), Marcus Fabrício (PTB) e Clovito Hugueney (PTB). Este último já saiu em defesa de Pinheiro no último fim de semana, garantindo que Gysele exagerou no relato de agressão.
Ao final, o vereador admitiu que o escândalo pode se refletir nas urnas. “Devo pagar um preço alto. E quem sabe os eleitores entendam minha situação”, declarou.
Pinheiro agradeceu, ainda, o apoio e solidariedade dos colegas de parlamento. "Todos que falaram comigo foram solidários", declarou.
Estavam presentes na entrevista coletiva os vereadores Arnaldo Penha (PMDB), Totó César (PTB), Misael Galvão (PR), Chico 2000 (PR), Toninho de Souza (PSD), Everton Pop (PSD), Paulo Borges (PSDB), Pastor Washington (PRB) e Domingos Sávio (PMDB).
Entenda o caso
Segundo o Boletim de Ocorrência nº 2012.181842, o vereador Júlio Pinheiro foi parar na delegacia na madrugada da última sexta, após ameaçar a esposa, Gysele Pinheiro, com um garfo de churrasco.
A suspeita inicial que ele teria misturado medicamentos e álcool - fato que ele confirmou - e, ao chegar em sua casa, no bairro Santa Rosa, às 3h30, tentou entrar. A confusão acabou no Cisc Planalto.
Gysele teria se recusado a abrir a porta e, então Júlio teria atirado pedras nas vidraças da casa.
Quando ela decidiu deixá-lo entrar, teria sido surpreendida pelo marido segurando um garfo de churrasco. O vereador teria começado a correr atrás dela e Gysele se trancou no quarto e acionou a Polícia Militar.
Leia mais detalhes aqui.
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