De livre aquisição ou uso, elas matam mais que armas de uso restrito
O homem inventou a roda para da mais comodidade e presteza no seu dia a dia na sua lida diária, uma das mais importantes invenções do homem, após a descoberta do fogo. A evolução tecnológica não teria chegado ao avanço que hoje se encontra senão por conta da existência da roda.
A sociedade contemporânea tecnológica, transformada pela revolução da informação, utiliza esse artefato “a roda” como meio de transporte de massa ou individual, o segundo em maior escala. Equiparam sobre rodas potentes motores de alta rotação com as mais novas criações tecnológicas, para dar celeridade e presteza em suas locomoções diárias. Essas rodas, com seus motores que representam status e poder, também representam mais uma ameaça a essa mesma sociedade, uma ameaça de morte.
Essas rodas equipadas e velozes, que chamamos de automóveis e motocicletas, são na verdade armar letais e lícitas, que compramos por livre escolha e adquirimos licença para usá-las como bem entendermos de acordo com nossas consciências. Nossos filhos quando alcançam a maioridade, logo ajudamos a adquirir uma licença para dirigir, ajudamos ou compramos uma dessas armas potentes de última geração e, damos de presente a eles, para a ostentação de poder e posse, típica do gênero humano.
O Estado incentiva a industrialização, comercialização com redução ou isenção de impostos, para incentivar o consumo interno no país. Facilita importação e montagem de indústria automotiva estrangeira através de programas econômicos, tudo pensando na melhoria da economia, consequentemente no crescimento do PIB – Produto Interno Bruto – do país.
As armas lícitas de livre aquisição ou uso matam mais que as armas tradicionais de uso restrito, de porte ou clandestinas que entram no país através do contrabando. Os dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que mais de 60 % (sessenta por cento) dos atendimentos das emergências dos prontos socorros na área de traumatologia são provenientes dos acidentes de automóvel ou motocicletas, essa última tem quase 80 % (oitenta por cento) dos traumas ocorridos.
O custo gerado para o SUS de uma pessoa que sofre um acidente de trânsito com trauma e necessita de UTI chega a média de 300 mil reais por paciente, recurso que poderia se aplicado na atenção básica de saúde.
Os óbitos registrados por acidente de trânsito superam as baixas das guerras do Golfo Pérsico e do Vietnã. Esses são apenas por acidentes, precisamos contabilizar os danos diretos e indiretos a saúde humana causados pela queima dos combustíveis fósseis, os passivos ambientais e as construções e ocupações de espaços públicos para utilização e guarda dessas “armas” automotivas, que fascinam o consumo dos humanos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, dois milhões de pessoas morrem por ano vítimas de doenças respiratórias adquirida do ambiente.
Acreditamos que essa sociedade tecnológica e de informação necessita rever seus hábitos de uso e consumo dos novos produtos oferecidos no mercado, mais do que isso, criar um conceito de valor para um bem estar saudável sobre produtos e bens de uso e consumo diários, como o meio de locomoção de pessoas. Também será imprescindível uma nova orientação pedagógica com conscientização para os nossos filhos e netos, no uso racional dos produtos disponíveis no mercado de consumo, principalmente as armas de uso livre (carros e motos).
O Estado como regulador dos bens e serviços de uso público tem a responsabilidade e a obrigação de oferecer a toda a população alternativas mais seguras e eficientes, como transporte público de qualidade e célere que atenda as necessidades de todos, indistintamente sem rótulos de classe social. Precisa haver uma outra conscientização, que transporte publico de massa não é de exclusividade das classes C e D.
As políticas públicas dirigidas para o atendimento no trânsito estão focadas na cobrança de impostos, aplicação de multas e pavimentação das vias, deixando de investir no cuidado com a pessoa, na proteção da saúde e da vida humana (que é o que realmente merece importa!).
ZELANDES SANTIAGO SANTOS é sociólogo, especialista em Gestão em Saúde pela UAB/UFMT.
A sociedade contemporânea tecnológica, transformada pela revolução da informação, utiliza esse artefato “a roda” como meio de transporte de massa ou individual, o segundo em maior escala. Equiparam sobre rodas potentes motores de alta rotação com as mais novas criações tecnológicas, para dar celeridade e presteza em suas locomoções diárias. Essas rodas, com seus motores que representam status e poder, também representam mais uma ameaça a essa mesma sociedade, uma ameaça de morte.
Essas rodas equipadas e velozes, que chamamos de automóveis e motocicletas, são na verdade armar letais e lícitas, que compramos por livre escolha e adquirimos licença para usá-las como bem entendermos de acordo com nossas consciências. Nossos filhos quando alcançam a maioridade, logo ajudamos a adquirir uma licença para dirigir, ajudamos ou compramos uma dessas armas potentes de última geração e, damos de presente a eles, para a ostentação de poder e posse, típica do gênero humano.
O Estado incentiva a industrialização, comercialização com redução ou isenção de impostos, para incentivar o consumo interno no país. Facilita importação e montagem de indústria automotiva estrangeira através de programas econômicos, tudo pensando na melhoria da economia, consequentemente no crescimento do PIB – Produto Interno Bruto – do país.
As armas lícitas de livre aquisição ou uso matam mais que as armas tradicionais de uso restrito, de porte ou clandestinas que entram no país através do contrabando. Os dados do Ministério da Saúde (MS) mostram que mais de 60 % (sessenta por cento) dos atendimentos das emergências dos prontos socorros na área de traumatologia são provenientes dos acidentes de automóvel ou motocicletas, essa última tem quase 80 % (oitenta por cento) dos traumas ocorridos.
O custo gerado para o SUS de uma pessoa que sofre um acidente de trânsito com trauma e necessita de UTI chega a média de 300 mil reais por paciente, recurso que poderia se aplicado na atenção básica de saúde.
Os óbitos registrados por acidente de trânsito superam as baixas das guerras do Golfo Pérsico e do Vietnã. Esses são apenas por acidentes, precisamos contabilizar os danos diretos e indiretos a saúde humana causados pela queima dos combustíveis fósseis, os passivos ambientais e as construções e ocupações de espaços públicos para utilização e guarda dessas “armas” automotivas, que fascinam o consumo dos humanos. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, dois milhões de pessoas morrem por ano vítimas de doenças respiratórias adquirida do ambiente.
Acreditamos que essa sociedade tecnológica e de informação necessita rever seus hábitos de uso e consumo dos novos produtos oferecidos no mercado, mais do que isso, criar um conceito de valor para um bem estar saudável sobre produtos e bens de uso e consumo diários, como o meio de locomoção de pessoas. Também será imprescindível uma nova orientação pedagógica com conscientização para os nossos filhos e netos, no uso racional dos produtos disponíveis no mercado de consumo, principalmente as armas de uso livre (carros e motos).
O Estado como regulador dos bens e serviços de uso público tem a responsabilidade e a obrigação de oferecer a toda a população alternativas mais seguras e eficientes, como transporte público de qualidade e célere que atenda as necessidades de todos, indistintamente sem rótulos de classe social. Precisa haver uma outra conscientização, que transporte publico de massa não é de exclusividade das classes C e D.
As políticas públicas dirigidas para o atendimento no trânsito estão focadas na cobrança de impostos, aplicação de multas e pavimentação das vias, deixando de investir no cuidado com a pessoa, na proteção da saúde e da vida humana (que é o que realmente merece importa!).
ZELANDES SANTIAGO SANTOS é sociólogo, especialista em Gestão em Saúde pela UAB/UFMT.
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