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quarta-feira, 21 de março de 2012

PT fala em unidade, mas partido parece continuar "rachado"

Gabriela Galvão

Lúdio Cabral, vereador por Cuiabá e pré-candidato à prefeitura     Com discurso de unidade e redenção, cinco tendências do PT em Mato Grosso declararam oficialmente apoio a pré-candidatura do vereador Lúdio Cabral à Prefeitura de Cuiabá na tarde desta quarta (21). A ausência de membros fundamentais da legenda, como os presidentes regional, Willian Sampaio, e municipal da sigla, Vilson Aguiar, bem como da ex-senadora Serys Marli, demonstra, entretanto, que embora se fale em um novo PT, a realidade vivida em 2010 pode se repetir este ano.
     Lúdio conta hoje com o apoio de 65% do partido. No percentual inclui-se a tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), considerada o maior coletivo do partido no país, que tem como integrantes o secretário estadual de Educação Ságuas Moraes, o deputado estadual Alexandre César e o porta-voz do Governo Federal no Congresso, ex-deputado Carlos Alicalil.
      O restante da legenda, por sua vez, continua dividido. Uma parte deseja candidatura própria, mas defende com "unhas e dentes" o nome de Serys, a exemplo do deputado Ademir Brunetto. Outra, mais radical, pretende formar aliança e já tem mantido conversa com o PSB, do pré-candidato Mauro Mendes.
     Nos discursos desta tarde, entretanto, todos presentes afirmaram que vão buscar exaustivamente a unidade por meio do diálogo, admitiram os erros e garantiram que aprenderam com o que aconteceu. A coletiva pareceu, na verdade, mais um momento de reconciliação e remição. Para Alexandre César, todos amadureceram com a dor e agora vivem um novo momento.
     Ságuas, por sua vez, lembrou que é preciso punir quando necessário, mas também saber perdoar. Ele ressaltou que quando foi iniciada a conversa entre o grupo de Lúdio e a CNB ainda existia rusgas, mas tudo depende da capacidade de superação. Já o vereador admitiu os erros e garantiu que com o processo disciplinar que enfrentou aprendeu o que realmente é ser um militante.
Alexandre César (PT), deputado estadual     Embora todos tenham afirmado que o que ocorreu em 2010 está superado, o vereador ainda não conversou com Abicalil, pivô da discórdia das últimas eleições. Alexandre garantiu, contudo, que o ex-deputado está ciente de todo o processo que vem acontecendo no Estado e que tem certeza de que o mesmo será um militante do projeto na Capital. Abicalil estará em Cuiabá neste fim de semana, quando as tendências pretendem se reunir e aproximá-lo do projeto em torno no nome de Lúdio.
     Mesmo com o grupo que apoia o vereador sendo maioria, a briga no PT deve continuar. Antes unida contra a candidatura de Abicalil ao Senado em 2010, a ala de Lúdio e Serys é a que deve “rachar” desta vez. Acontece que as correntes ligadas à ex-senadora têm interesse que ela dispute à prefeitura.
     Hoje apoiam o projeto do vereador as tendências coletivo graúna, a esquerda marxista, a identidade petista, a corrente o trabalho e a CNB. No próximo dia 15 a legenda fará a eleição de qual será o projeto do partido. A expectativa é de que até esta data as cinco tendencias já tenham conseguido a unidade.
     Punição
    Em maio de 2010 a Comissão de Ética do PT puniu quatro integrantes do partido por infidelidade partidária. Eles não teriam feito campanha para Abicalil, que amargou o terceiro lugar na disputa ao Senado. A comissão puniu Serys com um ano de suspensão do partido, Lúdio com 6 meses e a ex-deputada Vera Araújo, a Verinha, com 3 meses. A suplente de deputada Eroísa de Mello foi apenas advertida.
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