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quarta-feira, 21 de março de 2012

A Copa não é nossa!

O interesse por MT e Cuiabá será muito maior do que o próprio futebol

Outro dia, alguém escreveu ou disse que a escolha de Cuiabá para sede da Copa do Mundo de futebol de 2014 foi a pior coisa que poderia ter acontecido à cidade.

Foi um exagero! Tanto a frase como a Copa merecem reflexões. Cuiabá vem sucateada há décadas. Viu o estado sair de 38 municípios em 1979 e chegar aos atuais 141. Viu o estado  enriquecer e a população sair de 598 mil em 1970 para os atuais 3 milhões. Viu universidades e hospitais surgindo na Capital. Viu acontecimentos econômicos se multiplicarem, mas a gestão pública municipal não enxergou o futuro.

Não viu que a Capital sofreria o reflexo disso tudo, como cidade-âncora para Mato Grosso.

Campo Grande e Goiânia perceberam e se preparam. São cidades planejadas, porque seus gestores compreenderam que não poderiam continuar sendo cidadezinhas do acaso. Cuiabá não. Ao contrário,. Piorou do que era.

Bom, o que tem isso a ver com a Copa do Mundo? Os cuiabanos trazem essa sensação de que sua cidade vai muito mal. Quando veem o tamanho do evento, levantam o seu espírito crítico,
desacreditam e duvidam. Estão certos! A capital não estava pronta para tanto!

Essa torcida contra da sociedade cuiabana deve ser interpretada como um grito de desespero: “cadê a minha cidade?” No entanto, a Copa do Mundo de Futebol é o maior evento de mídia do mundo.

Em 2006, na Alemanha, foi vista por 32,5 bilhões de pessoas cumulativamente em 215 países. Com as tecnologias modernas que facilitam muito mais o acesso à comunicação, o evento
se multiplicará.

Do lado de cá, imagino que já em 2012 as redes de televisão do mundo inteiro, as revistas, jornais, sites e o cinema mundial comecem a desembarcar aqui para conhecer esses fenômenos do imaginário mundial, como o Pantanal, a terceira marca turística no mundo, a floresta amazônica, Chapada dos Guimarães e as fantásticas belezas cênicas, sei não!

O interesse por Mato Grosso e por Cuiabá será muito maior do que o próprio futebol. Um mundo conflitado como por lá e o paraíso por cá, quer dizer bilhões em negócios e em turismo de escala nessa direção.

Quando se compara esses cenários com o cenário da nossa cidade, dá um arrepio. Transformar uma cidade urbanisticamente quase abandonada em capital do futebol, de negócios e de vitrine para o turismo mundial, arrepia mesmo!

Tem tudo por fazer. Vias urbanas congestionadas e quase sem alternativas, absoluta falta de planejamento urbano. Os cuiabanos estão certos mesmo em duvidar.

Não é mais um problema da Secretaria da Copa nem do governo de Mato Grosso. É um problema de abandono por sucessivas gestões focadas em votos e desfocadas da História passada e futura!

A Copa não é nossa. É do mundo! Voltarei ao assunto.

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.
onofreribeiro@terra.com.br

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