Mais do que simples metáfora, é realidade concreta que o Brasil começa a funcionar, para valer, a partir de março. Janeiro e fevereiro podem ser considerados, por este prisma, como “perdidos”. Ao ponto que se fossem excluídos do calendário, o fato passaria imperceptível na agenda das atividades econômicas e sociais.
Exceto pelo Carnaval, que começa o “aquecimento” na sequência dos festejos de Fim de Ano e vai parando por este início de março. Mas, Carnaval, convenhamos, merece um reinado com dois meses exclusivos e à parte! Porque, ainda que feito de fantasia, é uma das poucas coisas sérias deste país. Ou o leitor, por acaso, já leu ou ao menos ouviu falar em “rombos” e desvios de verbas em orçamentos de escolas de samba?
Um “não” deve ser a resposta, porque eu também desconheço que na Mangueira, na Unidos da Tijuca ou em qualquer outra grande escola carioca ou de São Paulo seus dirigentes tenham desviado recursos destinados aos instrumentos, fantasias e carros alegóricos.
Portanto, nesses dois meses “mortos” para o mundo real e dedicados a Momo tudo permanece em compasso de espera e até os chamados mercados, tão sensíveis às oscilações econômicas e políticas, parecem ficar adormecidos com suas bolsas de valores. O mundo pode desabar lá fora das fronteiras brasileiras, mas por aqui, nem tchum! Permanece a calmaria... Já notaram?
O resultado dessa trégua temporal é que todos ganham um tempo. Os governos, por exemplo, usam o argumento de que o Orçamento não foi aberto, para represar gastos e adiar despesas, ainda que muitas delas inevitáveis.
Aproveitando a maré mansa, as prefeituras, por exemplo, usam a desculpa do período chuvoso para justificar as buraqueiras nas ruas, e por aí vai. Porém, “empurrar com a barriga”, adiar o enfrentamento de problemas concretos, tem prazo de validade e este se encerra neste final de fevereiro.
Inclusive e principalmente para o governador Silval Barbosa, cujo governo, mais do que dificuldades derivadas de caixa baixo – o que, aliás, é comum às finanças públicas em geral e como tal, portanto, não é um problema exclusivo de Mato Grosso -, se defronta, isto sim, com problemas de imagem. De identidade pública! Trocado em miúdos: que tenha a cara do governador. E não de uma confederação de “repúblicas” independentes, conforme é a impressão que a administração estadual passa para a sociedade.
Fato que muitos confundem com falhas de comunicação, quando, na realidade, o diagnóstico é outro e já foi feito por outros observadores: trata-se de um problema político decorrente de um governo formado por uma coalizão ampla em excesso, o que dificulta criar espaços na máquina administrativa para acomodar todos os interesses políticos, partidários e até pessoais. Solucionar este impasse é o grande desafio de Silval Barbosa, e nesse sentido ele precisa correr contra o tempo!
Quanto ao controle que ele está impondo aos gastos governamentais, foi, a meu ver, além de uma decisão financeira extrema (o chamado “remédio amargo”), a mais forte e clara sinalização de que o governador está disposto a imprimir a sua marca pessoal na gestão. Ótimo! Especialmente para ele, que assim pode colher também os bônus de acertos e não apenas os ônus dos erros de terceiros.
Torço, sinceramente, pelo seu sucesso nessa empreitada de assumir as rédeas e não deixar correr frouxo...
Afinal, o êxito de Silval Barbosa à frente do governo do Estado é também o de Mato Grosso.
Mario Marques de Almeida é jornalista. www.paginaunica.com.br
E-mail: mario@paginaunica.com.br
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