Denúncias não foram comprovadas; relatório será enviado ao MPE
LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) esteve no Pronto-Socorro de Várzea Grande, no início da tarde desta quinta-feira (19), para avaliar as condições de higiene, qualidade dos equipamentos e medicamentos e fluxo de atendimento.
Além disso, o Conselho, liderado pela médica Dalva Alves das Neves, foi à unidade para apurar a veracidade de denúncias recebidas, como mau cheiro causado por esgoto em sala de atendimento aos pacientes, Unidades de Terapia Intensiva (UTI) fechadas, falta de remédios e um arrombamento que teria ocorrido na sala de repouso dos médicos – fato que foi negado pelos médicos do local.
A presidente do CRM reclamou da falta de materiais e de médicos plantonistas e afirmou que um relatório será elaborado e enviado ao Ministério Público Estadual (MPE).
“Constatamos que as duas salas de Pronto-Atendimento estavam funcionando, porém, muita coisa ainda precisa ser melhorada. O Pronto-Socorro continua com muitos dos problemas, os quais temos verificado com frequência. É preciso investir em infraestrutura”, afirmou.
O diretor-administrativo do hospital, Vanderley Antiqueira, afirmou, em entrevista ao MidiaNews, que o CRM comprovou que as denúncias recebidas eram falsas. Segundo ele, o único fator que foi comprovado – e que a diretoria da unidade desconhecia – era o forte odor presente na sala de ortopedia.
Segundo Antiqueira, o problema no local remonta há décadas, quando da construção do Pronto-Socorro, e que o mau cheiro apenas surgiu recentemente. Segundo ele, corrigir o problema é impossível e a única saída é esperar a finalização da reforma de ampliação, que já está sendo concluída, para transferir o atendimento aos pacientes para a nova ala.
“Falaram que estava vazando esgoto para dentro da sala, mas não estourou nada. Para consertar esse mau cheiro, teríamos que quebrar o chão até a outra rua (dos fundos) e isso seria inviável. Como está sendo feita uma reforma e teremos mais espaço, a tendência é que essa sala daqui fique fechada e o atendimento seja passado para outro lugar. É mais viável, economicamente”, afirmou.
De acordo com o coordenador de Enfermagem do PS, Ludevaks Bonifácio, a realidade do hospital é outra daquela veiculada meses atrás. A superlotação não mais existe nos corredores e os próprios pacientes já elogiam a nova fase da unidade.
Segundo o médico, os problemas existentes no Pronto-Socorro do município, atualmente, são de origem administrativa e não comprometem a prestação de serviços à população.
“Temos algumas dificuldades administrativas, porque estamos em fase de transição. Mas isso não está se refletindo na população. Ela está sendo atendida”, disse Bonifácio.
Equipe médica
Apesar da demissão pedida por alguns médicos do Pronto-Socorro, a diretoria afirmou que outras contratações já estão sendo feitas para suprir a demanda. Atraso no pagamento dos salários e da Verba Indenizatória (VI) motivaram o desligamento dos profissionais.
De acordo com Bonifácio, os salários dos médicos já estão em dia e apenas as VIs continuam atrasadas, mas o problema já está sendo corrigido. Segundo ele, o descontentamento dos médicos pelo atraso no pagamento da verba ocorre porque o valor da VI corresponde a 50% da remuneração do profissional da saúde.
A diretoria afirmou que três novos médicos já foram contratados para completar as equipes do hospital e mais dois estão em fase de negociação.
“Agora que o pagamento das VIs estão sendo regularizadas, a nossa esperança é que esse problema acabe logo. Já há um processo de negociação muito avançado da Secretaria de Saúde com algumas equipes médicas”, anunciou Bonifácio.
Reforma
Fruto de um investimento de R$ 300 mil, provenientes, de acordo com o diretor administrativo, dos cofres da Prefeitura de Várzea Grande, a reforma do Centro Cirúrgico do Hospital Municipal começou há cerca de seis meses. Atualmente, apenas três salas estão em funcionamento – duas delas integralmente e uma parcialmente.
Segundo Antiqueira, o investimento do Município foi para compra de equipamentos para o Centro Cirúrgico e a inauguração deve acontecer dentro de, no máximo, 30 dias. Com isso, o Pronto Socorro irá contar com cinco salas de cirurgia, além de uma sala específica para a realização de partos.
“Vai ser o melhor Centro Cirúrgico dentre os hospitais públicos da Baixada Cuiabana. Vamos poder fazer todos os tipos de cirurgia, assim que for inaugurado. Estamos dependendo apenas da entrega dos carrinhos de anestesia e dos monitores pelos fornecedores”, afirmou o diretor administrativo.
A diretoria ressaltou, porém, que, mesmo em reforma, o Hospital não deixou de realizar cirurgias neste período, como foi denunciado ao CRM.
Inauguração
Uma nova ala foi inaugurada recentemente no Pronto Socorro para atender aos pacientes que ficam sob observação. O Bloco D é refrigerado e tem capacidade para 15 leitos. Durante a visita da reportagem, alguns leitos ainda estavam vazios.
Para evitar que pacientes aguardem atendimento nos corredores da unidade, outra ala já está pronta e deverá ser inaugurada em breve. Segundo Bonifácio, mais 15 leitos deverão ser instalados no local e o hospital está se prevenindo contra possíveis casos de dengue, durante este ano.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
CRM faz vistoria no PS, mas não acha problemas graves
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