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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa):O amanhã da Copa

O amanhã da Copa

Nenhum ocupante de cargo comissionado no governo em toda sua esfera é insubstituível. Sua permanência ou não na função depende da autoridade que o nomeou e também dele, o nomeado. Independentemente dos motivos que levaram o ex-titular da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), Éder Moraes, a deixar o conjunto da administração do governador Silval Barbosa, sua administração segue seu curso normal.

Indiscutivelmente, Éder Moraes deixa o governo em meio a um turbilhão político onde o que mais se vê no noticiário é acusação da existência de fogo amigo e de denúncias, o que leva analistas mais ácidos a avaliarem o momento como sendo de véspera de crise anunciada.

Para Silval, demitir Éder Moraes foi apenas um ato a mais de seu governo, muito embora ambos sempre deixassem claro em suas entrevistas que são amigos e que se respeitam mutuamente.

Para Éder Moraes sua saída do governo significa o fechamento de uma porta que lhe dava ampla visão sobre Cuiabá e Mato Grosso e, por que não?, lhe conferia condição privilegiada.

Superado o momento da demissão, Silval tem que rediscutir com amplitude, transparência e rapidez o projeto Copa do Pantanal, porque a mudança na direção da Secopa não deixará de causar alguns respingos no cronograma das obras de infraestrutura previstas para Cuiabá e Várzea Grande e até mesmo na construção da Arena Multiuso Pantanal.

Silval precisa admitir que o projeto Copa do Pantanal caminha em círculos por uma série de fatores, a começar pela falta de liberação dos recursos prometidos pelo governo federal. O volume de obras previsto é grande e a intervenção nas vias expressas juntamente com a implantação do sistema de transporte de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) não será missão fácil. Além disso, também pesa em desfavor a fragilidade administrativa setorizada, que começou na condição de autarquia colegiada (Agecopa) subordinada ao gabinete do governador e que mais tarde se transformou em secretaria extraordinária.

O projeto Copa do Pantanal tem três complicadores: a escassez orçamentária (e extraorçamentária). O fator tempo que deixa Cuiabá em permanente luta contra o relógio. E os previsíveis entraves judiciais que serão levantados por proprietários de imóveis que serão atingidos com as obras da mobilidade urbana. Superá-los não será tarefa fácil, ainda mais se a Secopa não tiver condução firme e apolítica.

Longe de previsões apocalípticas que não interessam a Mato Grosso, mas se o governador não promover um choque administrativo e conceitual no projeto Copa do Pantanal, o amanhã poderá ser bem sombrio.

Independentemente do papel desempenhado por Éder Moraes, é preciso que Silval recomponha o projeto Copa do Pantanal aproveitando os acertos e as conquistas até agora alcançados e, de posse deles, traçar o rumo que se espera, para que o Mundial da Fifa em Cuiabá não se resuma a quatro jogos num estádio moderno, porém encravado numa cidade mergulhada em problemas de trânsito, transporte, segurança pública, falta de regularização fundiária e altamente poluidora do Pantanal.



Se o governador não promover um choque administrativo e conceitual no projeto da Copa, o amanhã poderá ser bem sombrio

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