O site O Globo repercutiu nessa quarta-feira (18) a demissão do secretário extraordinário da Copa, Éder Moraes. Confira a matéria na íntegra:
O governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) demitiu na manhã desta quarta-feira o principal executivo das obras da Copa do Mundo de 2014. Desgastado pelo atraso nas obras, o secretário extraordinário da Copa de 2014, Éder Moraes, não resistiu a uma crise política local, envolvendo a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas do Estado.
Ele foi acusado por dirigentes destes dois órgãos de financiar a edição de um jornal semanal com uma reportagem “denunciando”, sem provas, que um conselheiro do TCE havia aceitado se aposentar em troca de R$ 12 milhões, abrindo vaga para o primeiro-secretário da Assembleia Sérgio Ricardo (PR).
Moraes já demonstrara interesse de assumir uma vaga no TCE tão logo encerrasse seu trabalho para a Copa. A desconfiança de que Moraes estivesse por trás da “denúncia” foi a gota d’água para que Silval Barbosa determinasse a demissão do secretário.
— Foi uma mudança natural no governo. Não houve pressão nenhuma — disse o governador, negando que a demissão tenha sido uma imposição dos presidentes da Assembleia e do TCE, deputado José Riva (PSD) e conselheiro José Carlos Novelli, respectivamente.
Desde que assumiu o posto, em abril do ano passado, Moraes acumulou problemas e desafetos. Ele foi o responsável pela mudança do modelo de transporte de massa projetado para Copa. Por influência sua, o governador desistiu do BRT (Bus Rapid Transit) e optou pelo Veículo Leve sobre Trilho (VLT), o que elevou o preço do projeto de R$ 450 milhões para R$ 1,2 bilhão.
Por conta de uma pendência na Secretaria do Tesouro Nacional, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda não liberou o financiamento para o VLT, colocando em risco sua inauguração antes do Mundial.
A demora na execução das obras também pesou. A única que está dentro do cronograma é a Arena Pantanal, com 35% da estrutura erguida. Moraes já esteve para ser demitido em outubro do ano passado, quando veio a público a informação de que sua secretaria havia adquirido, sem licitação, veículos de patrulhamento da fronteira, com gasto total de R$ 14 milhões.
A demissão do secretário da Copa é, até agora, a maior crise do governo Silval Barbosa. Nos meios políticos, Moraes é considerado um “homem-bomba”, por acumular informações que poderiam comprometer o governo. Na noite de terça-feira, horas antes do anúncio oficial de sua demissão, Moraes telefonou para o secretário de Segurança Pública, Diógenes Curado, pedindo proteção. Ele revelou ter sido abordado por um motociclista, que teria revelado a existência de um plano para matá-lo. A Secretaria Estadual de Segurança Pública confirma o telefonema, mas informa que a segurança do ex-secretário ficará a cargo da Casa Militar. (O Globo)
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