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quarta-feira, 21 de março de 2012

Secretaria discute a reinserção social de jovens e adolescentes e o sistema socioeducativo

Redação
Visando contribuir com a formação de profissionais do Sistema Socioeducativo e fortalecer as atividades de atendimento ao adolescente, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e a Superintendência do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso, através do Núcleo Interinstitucional de Estudo da Violência e Cidadania (ECHS/UFMT), promovem o seminário “Reinserção social de jovens e adolescentes: desafios do Sistema Socioeducativo”. O evento, que tem o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, iniciou na terça-feira (20.03) e prossegue até a quinta-feira (22.03), no auditório do Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Conforme a Secretária Adjunta de Direitos Humanos da Sejudh, Vera Araújo, o seminário é a culminância do Projeto de Formação Continuada para Operadores do Sistema de Atendimento Socioeducativo, desenvolvido pelo Governo do Estado, em Cuiabá e no interior, desde agosto de 2011. “O curso teve o objetivo de preparar quem trabalha com adolescentes em conflito com a lei. Estamos sensibilizando as instituições, que estão se organizando para atendê-los adequadamente”, declarou Vera, acrescentando que o sistema socioeducativo ainda não está incorporado como política pública.
A “Reinserção social de jovens e adolescentes: desafios do Sistema Socioeducativo”, título do evento, também foi o tema da palestra desta quarta-feira (21.03), ministrada pelo assessor da direção do Novo Degase Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) do Rio de Janeiro, Roberto Bassan Peixoto. O sociólogo destacou que o processo de reinserção social deve ser pautado na educação, não na repressão. “Precisamos buscar sempre a emancipação, a autonomia dos adolescentes na busca de valores e construção de novos projetos de vida,” disse.
Para Roberto, eventos de formação continuada têm papel fundamental no sistema socioeducativo, pois são espaços de construção coletiva e de escuta, onde os anseios e os problemas de quem trabalha com adolescentes em conflito com a lei podem ter soluções. “Os participantes de Mato Grosso estavam preocupados em assimilar conhecimento, não em apenas reclamar de seu trabalho. Os estados estão passando por um processo de construção e de estabelecimento de uma proposta pedagógica nova, onde não se trabalhará mais com a correção repressiva”, explicou o professor, declarando também que não dá para pensar em qualquer trabalho com adolescentes se não houver preparação da equipe. “O grande diferencial do sistema hoje é a formação continuada, que deve ser parte do trabalho, não apenas ações isoladas”.
A coordenadora-geral do Sistema Nacional do Programa de Implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Pro Sinase), Thelma Alves de Oliveira, que integrou a mesa redonda "A construção social da delinquência juvenil" destacou que é necessário garantir atendimento profissional seguro e de qualidade para o adolescente em conflito com a lei. “O profissional deve estar sempre em formação, pois sua atuação precisa acompanhar as transformações sociais,” afirmou Thelma.
O líder de equipe do Centro Socioeducativo de Cuiabá/Pomeri, Edinei Aparecido Pereira da Silva, destacou que cursos de formação continuada trazem conhecimento e melhoram a conduta profissional. “Isso faz diferença no meu trabalho. Nós precisamos nos aperfeiçoar, conhecer a parte pedagógica. Os cursos abrem um novo horizonte, para além de todo o sistema".
Já a assistente administrativa, Cristina Campos do Espírito Santo, também do Centro Socioeducativo de Cuiabá/Pomeri, salienta que os conhecimentos adquiridos nos cursos de formação continuada são aplicados no cotidiano. “Ganhamos conhecimentos teóricos, que são aplicados no trabalho com os adolescentes. Nossa atuação profissional se torna mais eficiente e eficaz. Nós aprendemos o que é um Centro Educativo e quais são seus objetivos. Tínhamos a prática, mas não a teoria. Agora, estamos elaborando nosso Plano Político Pedagógico, que vai organizar nosso trabalho”, comemora Cristina.
Participam do seminário cerca de 200 pessoas, entre servidores do Sistema Socioeducativo, Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Conselhos Tutelares, Conselhos de Direitos das Crianças e Adolescentes, Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas), Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e núcleos acadêmicos.

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