O engenheiro civil Carlos Anselmo Almeida prestou depoimento, na manhã desta quarta-feira (21), na CPI que investiga o superfaturamento de R$ 1,1 milhão registrado nas obras de reforma da Câmara Municipal de Cuiabá. Ele afirmou que não participou da elaboração do projeto e tampouco da planilha de produtos que foram adquiridos.
Almeida disse que foi convocado em 16 de agosto de 2009 e que foi estabelecido um termo de cooperação entre a Prefeitura, por meio da Secretaria de Habitação – sob João Emanuel – e o Legislativo. Contudo, somente após quatro meses do início das obras, ele compareceu à Casa, estritamente para assinar os projetos e as ordens de serviços. “Eu não fiz nada. A planilha, o orçamento e o projeto já estavam prontos. Só assinei”, revelou o profissional.
O engenheiro se defendeu, dizendo que não sabe quem realizou os procedimentos e que não se lembra de quem pediu que ele assinasse os documentos. “Não sei quem fez o projeto que assinei. Me pediram para assinar, mas não lembro quem foi. Foi alguém da Câmara”, declarou.
O vereador Deucimar Silva (PP), que na época era o presidente da Casa, disse que o engenheiro é um “mentiroso, cara-de-pau” e que só falou coisas “sem pé e nem cabeça” durante oitiva. “ Foi ele quem fez tudo. Tenho todas as documentações assinadas por ele, elaboradas por ele. Um homem dessa idade mentindo desse jeito...”, disparou Deucimar.
Segundo o ex-presidente, em sua gestão, a Câmara combateu a corrupção eninguém vai comprovar nada contra ele. “Ninguém vai encontrar culpa em mim. Não há provas”, se defendeu. Vale lembrar que Deucimar também prestará esclarecimentos à CPI. Nesta sexta, às 9h, será a vez de o parlamentar apresentar sua versão dos fatos.
O vereador Toninho de Souza (PSD) acompanhou o depoimento do engenheiro e disse que não é comum um profissional assinar um projeto que não fez. Além disso, ele observou que, estranhamente, Carlos Anselmo Almeida não informou ao secretário de Habitação que o projeto já tinha sido elaborado e que poderia caracterizar uma irregularidade.
“Ele deveria ter dito à secretaria que o projeto já estava pronto e que não tinha como assinar algo que não conhecia direito. Não é normal isso”, disse Toninho.
A comissão
O presidente da CPI, vereador e engenheiro civil Edivá Alves (PSD), disse que, agora, as coisas complicaram, já que o engenheiro responsável pela obra disse que não fez o projeto e que as assinaturas não fora registradas no Crea. “Ele (Carlos Almeida) prevaricou, foi irresponsável. Como assina um projeto de uma obra já tinha sido iniciado quatro meses antes?”, questionou Edivá.
Outro ponto abordado pela CPI é a licitação. O presidente questionou o processo licitatório, sem autorização do Crea. “Como realizam uma licitação sem autorização, sem assinatura de engenheiro, sem nada?”, indagou ele.
O engenheiro
Carlos Almeida revelou que, quando assinou o projeto, a licitação já estava pronta e que o ex-presidente da Câmara (Deucimar) homologou a ação. “Alguém se confundiu. Existia muitos trabalhos à parte na Câmara e não cabe ao engenheiro verificar preços”, disse.
Sobre as acusações de Deucimar, ele afirmou que o ataque é apenas uma forma de o vereador se defender. Ele disse que, se precisar, está pronto para uma acareação. “Eu não sei onde foi parar esse dinheiro. Também quero saber”, disse ele, em relação ao rombo de R$ 1,1 milhão, apontado pelo Tribunal de Contas do Estado.
Para a tarde de hoje, está programada a oitiva de representantes da empresa Alos Construtora. Foi convocado o diretor Alexandre Lopes.
Contudo, há mais de 20 dias, a CPI tenta, sem êxito, convocar os responsáveis. Edivá garante que não sabe se comparecerão na Câmara, já que a sede está fechada e nenhum funcionário foi encontrado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário