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quinta-feira, 1 de março de 2012

60.000 ao dia:site mais acessado:Cuiabá:Várzea Grande:VLT pode ser o fiasco da Copa de 2014 em MT

Foto: Mary Juruna Dois dias após a publicação do Especial “Goela Abaixo no Povo”, publicado pelo Jornal Circuito Mato Grosso, a situação da Secretaria Estadual para Assuntos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 (Secopa) piorou ainda mais.
Enquanto o gestor da secretaria mais famosa do governo, Eder Moraes, entra em combate com o senador Pedro Taques e se recusa a repassar informações sobre a obra mais cara da Copa, uma intervenção do Tribunal de Contas da União-TCU para reposicionar aspectos legais no lançamento do edital de licitação  tornou inevitável o adiamento já previsto para 6 de março

O adiamento do edital de licitação para as empresas concorrentes apresentarem propostas para a construção e operação do equipamento de transporte coletivo forçará o atraso no cronograma de entrega da obra cujo caráter, segundo o governo, é indispensável  para o transporte coletivo durante todo o evento e se constituirá, depois disso, no legado mais importante da Copa.
Como há recursos federais envolvidos no Veículo Leve sobre Trilhos e a Secopa vinha tocando a licitação de forma irregular, o Tribunal de Contas da União barrou o processo licitatório para restabelecer a legalidade. Entre as exigências está o respeito ao prazo de 15 dias entre a conclusão das audiências e o lançamento do edital, um dos fatos que tornou forçoso o adiamento da normativa imprescindível para a legitimação do certame licitatório.

 Arquiteto e Urbanista, José Antonio Lemos | Foto: Mary Juruna A implantação do VLT é considerada pelo governo o principal eixo do projeto de mobilidade para a Grande Cuiabá e o maior e o mais importante compromisso do estado em nível local, embora a população já tenha consciência de que seu principal meio de locomoção sempre será os ônibus, até mesmo para ir ver os jogos da Copa na Arena Pantanal. Segundo artigo do arquiteto e urbanista José Antônio Lemos dos Santos, apesar de toda a importância da obra, as audiências realizadas pela manhã em Cuiabá, e à tarde em Várzea Grande, em audiências separadas, sem apresentação prévia do projeto a ser discutido foram o fracasso esperado. “Francamente, nas minhas limitações pessoais não seria tempo sequer para compreender um projeto dessa envergadura, quanto mais para questioná-lo em suas implicações sobre a cidade e a vida dos cidadãos. Por isso não fui. Mas, pelo noticiário, vídeos mostrados pela mídia, declarações das autoridades e dos que estiveram presentes, deu para sentir que as audiências foram exitosas, com informações importantes, ainda que algumas não tenham sido boas”, concluiu.

Lemos diz que os eventos serviram para confirmar que ainda não existe projeto técnico para o VLT, conforme já havia mostrado o edital de licitação publicado na segunda de carnaval que trouxe entre seus objetivos a contratação dos projetos necessários à execução das obras e a implantação do sistema. Portanto, não existe projeto e o que foi apresentado nas audiências seria mais uma ilustração de intenções oficiais de realização. Serviu também para mostrar pela primeira vez o governo se apresentando inseguro quanto à viabilização desse projeto no prazo da Copa do Pantanal.
Lemos lembra ainda que neste projeto existe a responsabilidade dobrada dos que tomaram a iniciativa de trocar o projeto do BRT, pronto, aprovado pela Assembleia e com financiamento acertado, assumindo o risco de começar um outro da estaca zero, no caso o do VLT, há três anos do início da Copa. Dentre os riscos assumidos era o de uma nova negociação com o governo federal. Se hoje encontram “obstáculos nos corredores de Brasília” é urgente que sejam denunciados quais ou quem são para que todos saibam, a presidente Dilma possa tomar providências, e os projetos avancem, sem prejuízos para Cuiabá e a Copa que não podem sair perdendo em função de eventuais interesses menores.

“Entretanto, o que interessa aos cuiabanos são as obras, o legado de benefícios. O mais importante é que Cuiabá consiga extrair o máximo de proveito desta grande oportunidade de investimento que é a Copa do Mundo. O problema é que os eixos do VLT envolvem alguns dos projetos indispensáveis para a Copa e para a vida futura da cidade, como, por exemplo, o viaduto do Cristo Rei, a trincheira do Km Zero e os alargamentos em trechos da Prainha, Fernando Correia e FEB. Sendo que dificuldades começam a ameaçar o VLT, não seria o caso de já se pensar em um plano “C” assegurando que essas obras fundamentais para a cidade sejam implantadas, independente do futuro do modal?”, pergunta.



Da Redação

Foto: Mary Juruna

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