Os vereadores de Várzea Grande deram um bom sinal, pelo menos na oratória, nos últimos dias, de que se engajarão, daqui para frente, para forçar um atendimento mais dinâmico e humanizado na área da Saúde do município, em especial no Pronto-Socorro Municipal (PSM) que, aos poucos, vai se recobrando de uma greve de médicos.
Pela proposta dos vereadores, avalizada inclusive pelo presidente da Câmara, Maninho de Barros (PSD), no caso do PSM, será feita uma espécie de mutirão, por parte do Legislativo, para tentar equacionar os problemas que, nos últimos tempos, têm comprometido os atendimentos naquele hospital. Entre eles, a escassez de medicamentos e de material prioritário para os procedimentos médicos, além da questão salarial do funcionalismo do hospital, que volta e meia é motivo de protestos principalmente por parte dos médicos que atuam naquela unidade de saúde.
Nos discursos inflamados levados a cabo pelos vereadores nos últimos dias, acerca da espécie de caos que se instalou no PSM nos últimos tempos, os parlamentares apontaram alguns motivos claros e evidentes, responsáveis por essa crise. Entre eles, a letargia e o desprezo adotados pelas últimas gestões do município no tocante à saúde pública e perseguições contra funcionários antigos e experientes do PSM. Sem contar com a ação, no interior do PSM, de alguns políticos que têm usado o complexo hospitalar para fazer política e acomodar apadrinhados, muitos deles sem a menor afinidade com as atividades exercidas naquele local.
Somados, esses ingredientes, além de dezenas de outras mazelas verificadas naquele local, têm tornado o PSM uma referência de tudo, menos daquilo que na realidade deveria ser: uma unidade hospitalar pública com bom padrão de atendimento, eficiência nota 10 e referência no trato daqueles pacientes carentes, em especial, que buscam no Pronto-Socorro a solução para seus problemas de saúde.
Os discursos dos vereadores, portanto, significam a intenção de se mudar, de forma substancial, juntamente com a diretoria que acaba de assumir aquele órgão, os conceitos dos atendimentos levados a cabo pelo PSM nos últimos tempos. Mas esses mesmos discursos se perderão no tempo e no espaço como fumaça, se ficarem restritos apenas às lamentações verificadas no plenário da Câmara. Terão, por isso, de ganhar urgentemente o corpo da prática.
Essa última medida, além de justificar os milhões de recursos que já foram e continuam sendo investidos no PSM permitirá que se salvem dezenas de vidas, por muitas vezes tratadas sem a menor significância por parte do poder público e daqueles que atuam no manuseio dos bisturis, em especial.
*GILMAR ANTONIO LISBOA - jornalista em Várzea Grande e editor-chefe do blog Política & Cia e do semanário Gazeta da Cidade, que circula no município
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