A delegada Eliane da Silva Moraes, titular de Chapada dos Guimarães, ainda não recebeu os laudos periciais sobre a morte do empresário Carlos Garcia Bernardes, de 62 anos, um dos fundadores da construtora Encomind.
Ele foi encontrado morto na última sexta-feira (17), em sua casa no condomínio Morro do Chapéu, que fica nas margens do Lago de Manso, em Chapada dos Guimarães. Ele estava caído em seu quarto, com várias perfurações feitas à faca, na região do abdômen e no pescoço.
Apesar da tese de suicídio, como mostram as evidências até agora, a delegada afirmou que apenas os laudos finais poderão ser conclusivos. A família do empresário, em depoimento à polícia, aceitou a tese, já que o empresário tinha histórico depressivo e se tratava recentemente com medicamentos.
Além disso, ele deixou um bilhete pedindo desculpas pelo ato e revelando o desejo de ser cremado.
Ritual
Um fato curioso chamou a atenção de técnicos que realizaram a necropsia no corpo do empresário: a possível semelhança entre os pontos de perfuração em seu abdômen e um ritual japonês conhecido como Haraquiri – utilizado por samurais. Os técnicos do Instituto Médico Legal (IML) relacionaram a possibilidade e até consultaram sites na internet sobre o assunto.
O termo haraquiri significa, literalmente, "cortar a barriga" ou "cortar o estômago". Segundo a Wikipédia, enciclopédia virtual, era usado para recuperar a honra pessoal ou limpar o nome da família, caso essa honra fosse perdida em alguma atitude indigna.
Até mesmo a faca utilizada pelo empresário tinha características orientais.
A delegada Elaine Moraes foi cautelosa ao ser questionada sobre a possibilidade do empresário ter seguido algum tipo de ritual.
“No local da morte não havia nada que pudesse remeter a um ritual. Só se for pela forma das facadas. A única coisa diferente, de fato, foi a maneira pela qual ele pode ter cometido o suicídio. Porque, em tese, não é comum uma pessoa se matar com várias facadas (de 5 a 8 perfurações). Por isso pode ficar uma dúvida”, afirmou.
Ela disse que a faca usada se assemelha às usadas na culinária japonesa.
“Pesquisei e soube que já houve casos semelhantes, não pensei que fosse possível (se matar com esse número de facadas). Em conversas informais, me disseram que o tipo de lâmina usado não causaria muita dor. Porque geralmente, quando uma pessoa comete suicídio, ela dá um tiro na cabeça, pula de uma ponte ou crava uma faca no peito. Esse caso foi diferente, por isso pode estar relacionado (ao ritual)”, ponderou.
A delegada ressaltou que os depoimentos prestados por familiares - assim como pelo motorista do empresário e pelo técnico que instalou uma antena parabólica na residência onde ocorreu a morte -, apontam no sentido do suicídio.
“O que poderá dizer o contrario são a perícia no local e a necropsia”, afirmou.
Causa da morte
A perícia técnica, feita no local da morte, explicou a delegada, revelará características como impressões digitais, pegadas, análise do formato da poça de sangue, a possibilidade de ter outra pessoa no local, etc.
Já o laudo da necropsia mostrará as características encontradas no corpo, como o número e a forma das perfurações, quais órgãos foram atingidos, assim como a causa da morte. Essa perícia revelará também quanto tempo se passou do momento das perfurações até a morte do empresário.
A delegada afirmou que a perícia tem prazo de 30 dias para entregar os laudos. “Mas, acredito que antes desse período eu já os receba”, disse.
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