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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

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Em Mato Grosso, obrigatoriamente janeiro teria que ser mês dedicado ao Barão de Melgaço, mas infelizmente não se registra nenhuma solenidade oficial para reverenciar a memória deste ilustre militar, político, escritor e geógrafo francês naturalizado brasileiro. 

Augusto João Manuel Leverger nasceu em 30 de janeiro de 1802 e recebeu do Império o título de Barão de Melgaço por seu papel estratégico em defesa de Cuiabá quando da guerra que Brasil, Argentina e Uruguai travaram com aquele país. Morreu em 14 de janeiro de 1880 na terra cuiabana que adotou. 

Na vida pública o Barão de Melgaço governou Mato Grosso em quatro ocasiões. É de sua autoria um dos mais antigos registros da ufologia na América; da proa de sua embarcação que navegava pelo rio Paraguai ele e tripulantes avistaram um objeto não identificado, que para estudiosos do assunto seria um disco voador. 

Estrategista militar respeitado nos sete mares, o Barão de Melgaço assumiu o comando das forças militares em Cuiabá quando a Marinha do Paraguai planejava navegar rio acima e ocupar esta capital. 

À frente de seus efetivos, o Barão de Melgaço se deslocou para um ponto distante 120 km de Cuiabá, onde desviou o curso do rio e no topo de uma elevação ribeirinha montou poderoso sistema de defesa com canhões que inviabilizavam a passagem da esquadra inimiga. 

O Almirantado paraguaio o conhecia muito bem e desistiu de seu plano, o que poupou mais um derramamento de sangue naquele conflito entre irmãos continentais. 

O Barão de Melgaço foi escritor; é o patrono da Cadeira 11 da Academia Mato-grossense de Letras (AML), que se instalou e ainda permanece em sua antiga residência em Cuiabá, numa via que lhe rende homenagem: Rua Barão de Melgaço. Este prédio, denominado “Casa Barão de Melgaço” também abriga o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. 

Duas cidades mato-grossenses cultuam sua memória. Uma é Barão de Melgaço e, a outra, é Santo Antônio de Leverger. Ambas se localizam à margem do rio Cuiabá. Ruas, praças, prédios e escolas em vários municípios levam seu nome. 

Um vulto com a dimensão do Barão de Melgaço não pode ser jogado debaixo do tapete. Reverenciar sua memória e mostrar às novas gerações a riqueza de sua atuação em defesa de Mato Grosso é acima de tudo honrar o passado desta terra onde entre outros ilustres nasceu o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. 

Até hoje, neste janeiro, não aconteceu nenhuma citação oficial ou acadêmica ao Barão de Melgaço. Essa situação não é atípica, porque também ocorreu nos anos anteriores. 

O prazo é curto para se tentar organizar algum evento - para ser celebrado neste ano - compatível com a memória do Barão de Melgaço. Lamentavelmente nada não pode ser feito, agora, para reverter tamanha injustiça. Mas, tomara que as autoridades e os imortais da AML não deixem que esse quadro se perpetue e que o mudem a partir de 2013. 

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