Redação 24 Horas News
Dono do maior grupo de comunicação de Mato Grosso, o jornalista e radialista Dorileo Leal é o principal nome do PMDB hoje para a disputa da prefeitura de Cuiabá. Filiado no dia 30 de setembro do ano passado num evento que trouxe a Cuiabá lideranças nacionais com destaque para o vice-presidente da República, Michel Temer, que abonou a ficha de filiação, o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, o presidente nacional do partido, senador Valdir Ralpp (RO) e do líder na Câmara Federal, deputado Henrique Alves, que está no 11º mandato parlamentar, além do governador Silval Barbosa e o presidente regional, deputado federal Carlos Bezerra, deputados estaduais, federais, prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias, Dorileo é considerado pelos peemedebistas e alguns aliados como o “fato novo” da política local para as eleições de 2012.
Já com discurso pronto, Leal escolheu como alvo o prefeito Chico Galindo (PTB) que, mesmo negando não ser candidato à reeleição não pode ser desprezado como adversário, para destilar as críticas mais ácidas e participa ativamente de eventos promovidos pelo próprio grupo que dirige, ou, de reuniões previamente agendadas por políticos aliados.
Nesta entrevista exclusiva ao 24 HorasNews, Dorileo Leal fala sobre sua entrada na vida pública e sobre seu futuro político.
24 Horas News – Por que o senhor escolheu o PMDB para iniciar sua vida pública, já que foi convidado por vários partidos considerados também grandes no Estado. Há algum motivo especial para essa escolha?
Dorileo Leal – Quando manifestei meu desejo de entrar para a vida pública e ter uma militância partidária, fui convidado pelo governador Silval Barbosa, com quem mantenho uma amizade anterior à sua vida política e, posteriormente, um convite do presidente regional do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra. Foram as duas manifestações oficiais que eu recebi já há algum tempo. Fiz uma avaliação e decidi que, se meu interesse é participar de um projeto por Cuiabá, um projeto que discuta a retomada da nossa cidade, que tem vivido momentos difíceis politicamente, eu penso que esse projeto tem de estar alinhado com o poder central do Estado e do País e vejo que Cuiabá hoje não tem como se dissociar da força do governo para resolver seus problemas e, da mesma forma, não tem como estar dissociada do governo federal, onde o PMDB tem uma participação muito forte além da vice-presidência, ocupando ministérios importantes. Então, fiz uma avaliação prática no primeiro momento e, além disso, levo em consideração o fato de ter uma identidade com a história do PMDB, minha história sempre foi de luta, de defesa das liberdades, da democracia, dos menos favorecidos de Cuiabá. Essa sempre foi a atuação do Grupo Gazeta ao longo desses 21 anos de existência e é a mesma história que marca o PMDB desde 1966, então, entendo que estou indo me aliar a companheiros que têm esse mesmo compromisso com o nosso Estado e com a nossa cidade.
24 Horas News – Apesar de ser um nome novo na política o senhor se relaciona bem com os demais partidos que fazem parte da base aliada do governador Silval Barbosa?
Dorileo Leal – Sempre tive, graças a Deus, uma relação pessoal muito boa com os mais diferentes segmentos da política de Mato Grosso e com os demais partidos não é diferente. A escolha pelo PMDB, como disse anteriormente, foi meramente por uma questão de identificação maior, nada além disso.
24 Horas News – O senhor chega como um pré-candidato com pretensões de ser escolhido pelo partido para 2012, ou, já está definido que Dorileo Lealserá o candidato a prefeito?
Dorileo Leal – Em absoluto. Eu não tenho nenhum compromisso com o partido em ser candidato, assim como o partido também não assumiu nenhum compromisso de que eu seja seu candidato em 2012. Eu disse sempre que Cuiabá vem provando das administrações falsas, mentirosas, promessas enganosas que são feitas à população, a cidade quase sempre abandonada, muito descaso, a falta de correção com a coisa pública. Tudo isso cansa. Eu sou daqui, meus negócios estão aqui, minha família está aqui, meus amigos são daqui e eu penso que chega um momento na vida em que a gente tem de reagir e pelos se colocar a disposição de pelo menos discutir os rumos da sua cidade e é isso que eu quero. Digo sempre que não sou candidato e nem pré-candidato ao entrar no partido, mas, nunca vou fugir de qualquer luta como sempre foi a minha vida inteira. Eu digo sempre que eu quero discutir Cuiabá, quero estar inserido nesse processo. Se, o partido e as forças políticas que vão integrar a base de apoio de uma futura candidatura do PMDB entenderem que meu nome contribui e soma nessa empreitada, eu estou pronto para me colocar à disposição. Nós temos realmente que construir um projeto para Cuiabá.
24 Horas News – Essa aproximação, esse ‘casamento’ com o PMDB implica já a partir de agora de uma participação maior do senhor ou de alguém do seu grupo político dentro do governo. Existe alguma coisa nesse sentido?
Dorileo Leal – Não. Em absoluto. Nunca tratamos desse assunto, não fiz essa exigência e nem me foi oferecido isso. Eu entro como alguém que primeiro pretende conhecer o partido por dentro, segundo, entender o que é a militância partidária, porque sempre fiz política dentro da minha área, mas, sem estar por dentro de nenhum partido, sem entender o mecanismo que move uma militância. O meu objetivo é esse e, sem nenhum compromisso porque acho até que não seria legal qualquer atrelamento dessa natureza.
24 Horas News – O senhor sendo o candidato do PMDB na disputa pela prefeitura de Cuiabá em 2012, como vai fazer para ter uma base eleitoral forte, uma vez que é desconhecido politicamente da grande massa eleitoral? Haverá tempo suficiente para se fazer conhecer?
Dorileo Leal – Eu penso o seguinte: que o PMDB tem que lutar para manter a base de apoio que tem hoje com o governador Silval Barbosa, que é muito sólida, muito forte e que tem que ser considerada em Cuiabá e em todo Mato Grosso. Tenho conversado bastante com as lideranças que compõem essa base política, como o presidente de honra do PSD, novo partido que está se formando, o deputado José Riva, com uma expressão de votos em Cuiabá que é o deputado Sérgio Ricardo, do PR, com o próprio senador Blairo Maggi (PR), o presidente do PR, Wellington Fagundes, com o presidente estadual do PP, secretário Pedro Henry, o presidente municipal, Deucimar Silva, além de outros partidos menores com quem tenho mantido uma relação muito boa e mostrado a eles que é importante que se construa um projeto de salvamento de Cuiabá, isso é o mais importantes, porque nós temos vivido uma agenda negativa em Cuiabá ao longo dos últimos anos e não é só por esse governo que aí está (Chico Galindo) porque ele também é fruto de outros desmandos que aconteceram nos últimos anos. Então, eu acho que sem a união de forças é muito difícil alguém ter êxito em tentar recuperar a auto-estima do povo cuiabano.
24 Horas News – 2012 deve ser um ano de explosão do desenvolvimento de Cuiabá por conta das obras para a Copa do Mundo de 2014. O senhor acredita que isso vai influenciar diretamente no resultado das eleições para prefeito da Capital?
Dorileo Leal – Eu tenho certeza absoluta disso. Eu acho que o governador Silval Barbosa e o seu governo vão estar vivendo um grande momento em Cuiabá por serem os principais artífices das obras que vão acontecer para a Copa do Mundo, Além da Arena Pantanal, dos Fan Parques, centros de treinamento, a mobilidade urbana que é muito importante para o futuro de Cuiabá do VLT, enfim, esse ‘pacotaço’ de obras que a cidade vai ter a partir de 2012 e que terá a chancela do governo Silval Barbosa, porque, sem a força do PMDB lá em Brasília e do empenho do governo federal, não seria possível a realização de tantas obras importantes para o pós-copa, o futuro da nossa capital. Nós teremos uma Cuiabá de antes da Copa do Mundo e outra após a Copa do Mundo. Eu penso que o governo vai estar muito forte no ano que vem e a população vai entender que a continuidade dessa base de apoio, dessa união de forças por Cuiabá, será muito importante para definir os rumos da cidade em 2012.
24 Horas News – Como Dorileo Lealavalia a administração de Cuiabá dissociada dessa quantidade de obras que ocorrerão por conta da Copa do Mundo de 2014, olhando apenas para as “questões domésticas” propriamente ditas?
Dorileo Leal – Cuiabá tem uma dívida social muito grande com a população, especialmente a periférica, aquela que tem menos acesso ao serviço público e que tem o direito constitucional de receber os benefícios públicos. Eu entendo que essa dívida precisa ser resgatada o mais urgente possível. Por exemplo, o problema da saúde de Cuiabá é muito sério, porém, não é insolúvel, mas, é preciso ter seriedade. Eu sempre digo que o grande projeto para saúde de Cuiabá é funcionar e não roubar, porque, leis existem, decretos existem, normas existem, enfim, tudo existe e os recursos, se não são suficientes, existem também. O problema é a má gestão nessa área. Não é possível a saúde dar certo se em sete anos de governo foram trocados oito secretários de saúde, tem alguma coisa errada nisso. O problema é de gestão, é não deixar que aja ingerência política na gestão da saúde pública para que o cidadão que precisa desse serviço seja tratado com o respeito que ele merece. Basta agir com seriedade para melhorar e muito a saúde pública, pode não resolver todos os problemas de imediato, mas as coisas avançam muito.
24 Horas News – O senhor é dono de um complexo de comunicação que envolve jornal, TV e rádio e sempre manteve uma linha editorial de cobrança, até certo ponto dura com relação aos poderes constituídos e o poder público de forma geral. Essa sua entrada para a política muda alguma coisa em relação às suas empresas, alguma mudança de rumo na linha editorial dos veículos?
Dorileo Leal – O que muda é que eu vou deixar de estar realmente à frente do comando das empresas, não só por ser incompatível com a atividade que eu vou passar a exercer, como também a questão do tempo. Eu sou uma pessoa que se dedica muito quando assume uma missão, me entrego de corpo e alma nisso para buscar o objetivo que me proponho. Agora já disse ao PMDB e tenho dito aos meus amigos: não esperem do Grupo Gazeta qualquer confusão, qualquer comprometimento ou envolvimento na minha questão pessoal e política com a linha editorial do grupo. O jornal, a rádio e a televisão vão continuar tendo o mesmo compromisso que sempre tiveram de respeito à sociedade, em defesa da liberdade e da democracia, de estar ao lado das pessoas que mais precisam. Essa sempre foi a nossa linha e ela não vai mudar. O fato de o Dorileo ir para a política não vai interferir em absoluto no andamento dos veículos do grupo. Não vou misturar o Grupo Gazeta com minha posição pessoal e entendo que essa é a forma mais decente e mais respeitosa que eu devo ter com os leitores, telespectadores e ouvintes. Vou continuar fazendo as coisas como sempre fiz, com ética e com respeito.
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