A equipe da delegada Sheila Carvalho, da Delegacia de Homicídios, realizou várias buscas na região do Conjunto Frei Damião, na manhã desta quarta-feira (8). Os policiais esperam capturar o quanto antes os fugitivos “Pelé” e “Bitinha”, acusados de terem executado o líder comunitário Leonardo Francisco da Silva, de 22 anos, na última segunda-feira (6).
Familiares da vítima, que pediram para não ser identificados, atribuem o crime aos dois acusados. Eles teriam envolvimento com o tráfico de drogas na região, além de responderem a processos por duplo homicídio em Jequiá da Praia e do assassinato de José Teixeira de Siqueira, chefe da Guarda Municipal de São José da Laje.
No dia do crime, Leonardo havia parado um caminhão branco, de placa NLX 9883, para descarregar mercadorias, quando foi surpreendido pelos algozes, que entraram no veículo e dispararam. Leonardo, mesmo baleado, chegou a acelerar o veículo, colidindo com um ônibus da empresa Piedade que fazia a linha Benedito Bentes / Frei Damião.
O líder comunitário chegou a ser preso durante as investigações da “Chacina do Benedito Bentes”, quando quatro jovens foram assassinados no dia 23 de novembro de 2010. Na época, um inquérito policial foi ser aberto pela Delegacia de Homicídios, que apontava Leonardo e mais um capitão da Polícia Militar, identificado como Eugênio, como os principais suspeitos.
Do inferno ao céu
Em entrevista ao portal Tribuna Hoje, o capitão Eugênio comentou o assassinato recente do jovem e disse que ele pode ter sido executado por ser um "X-9" – o que na linguagem criminosa identifica alguém que passa informações para a polícia. “Leonardo, assim como eu, fomos vítimas de investigações erradas da Polícia Civil... Ele era inocente e pode ter sido assassinado pelos bandidos porque conhecia alguns policiais”, conta o capitão.
Eugênio conta à reportagem que ele e o jovem realizavam trabalhos sociais na comunidade do Benedito Bentes antes da chacina. Eugênio acredita que, pelo fato de Leonardo coordenar atividades como filmes e palestras sobre drogas e não se envolver com os traficantes, tenha atraído a atenção dos mesmos.
“Esses jovens não querem nada. Luciano era um rapaz tranquilo, diferente. Quando foi preso, ele chegou a procurar várias vezes a Delegacia de Homicídios para formalizar uma denúncia de que pessoas estranhas estavam rondando a sua casa... E olha o que aconteceu! Alguém ouviu?”, desabafa o PM. O oficial enfatizou que ele e o jovem foram usados como “bodes expiatórios” para um caso que, depois de um ano e meio de investigações, permanece sem solução e arquivado.
“Chacina do Benedito Bentes”
A “Chacina do Benedito Bentes” chegou a ter uma reviravolta na época, quando os dois acusados foram soltos e uma nova linha de investigação adotada. O oficial disse que não chegou a ser preso, mas que, por ser instrutor de tiro da PM, acabou tendo a sua casa revirada. Foram encontrados estojos com munições que, segundo a Polícia Civil, poderiam ter sido usados nos assassinatos.
“Isso é um absurdo. A única coisa que eles tinham contra mim era um mandado de busca e apreensão que foi expedido antes de ser confirmada qualquer participação minha. Eles [os policiais] reviraram a minha casa e encontraram a munição, mas não me prenderam porque eu sou inocente”, conta o PM, que voltou a dizer que tudo foi armado contra ele e o líder comunitário.
Segundo Eugênio, o caso ficou na mão da mesma delegada que investiga o recente assassinato de Leonardo. No caso da “Chacina do Benedito Bentes”, o inquérito foi concluído e arquivado sem indiciar nenhum novo suspeito.
“Até hoje eu luto por uma conclusão. É uma questão de honra provar a minha inocência. Eu tenho dois filhos e até hoje não durmo por causa disso”, pontua o PM que finaliza lamentando a morte de Leonardo. Ele destaca o jovem com um rapaz promissor e com futuro “se não fossem essas armadas da vida”.
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