Gabriela Galvão
Por cerca de 3h, os deputados estaduais sabatinaram o secretário extraordinário da Copa, Eder Moraes, durante a sessão desta terça (3) da Assembleia. Visivelmente bem preparado, o republicano respondeu a todos os questionamentos, demonstrando mais segurança do que os deputados Zeca Viana (PDT) e Luciane Bezerra (PSB), principais críticos em relação às obras do Mundial. O adiamento da sabatina, por sinal, prevista para a semana passada e cancelada devido a reunião dos parlamentares com o governador Silval Barbosa (PMDB), parece ter vindo “a calhar” ao secretário, que entregou nesta terça ao governador o balanço-geral das ações ligadas a Copa. Viana deu início as perguntas tão nervoso que acabou tendo seu tempo estendido pelo deputado Romoaldo Júnior (PMDB), que presidia a sessão. A justificativa é que foi ele o autor do requerimento. Com o passar do tempo, o pedetista foi ganhando confiança e, por alguns instantes, quase colocou o secretário em uma “saia justa”. Um exemplo foi questionamento quanto ao formato do processo licitatório do VLT, que será presencial e não eletrônico. Eder justificou que o pregão será presencial por trabalhar com cifras milionários. Para o pedetista, entretanto, o modelo já deixa claro que a licitação será de “cartas marcada”.
Outra dura indagação do parlamentar foi em relação a divida bilionária contraída pela empresa portuguesa que elaborou o estudo de viabilidade para implantação do modal no Estado. Viana leu uma reportagem que citada que em 10 anos a referida empresa adquiriu uma dívida de quase R$ 8 bilhões com o VLT que instalou em Portugal. Ressaltou que lá circulam mais de 55 milhões de passageiros, enquanto em Cuiabá são cerca de 500 mil em toda a baixada, num Estado sem condições de endividamento. O secretário, por sua vez, afirmou que não é possível comparar o VLT europeu com o que está sendo instalado no Estado, pois aqui será integrado com o transporte coletivo.
Já Luciane deu início aos questionamentos com uma grave acusação. Segundo ela, existem fortes indícios de superfaturamento na planilha de preços para elaboração do edital de licitação do modal. Eder garantiu que não se pode falar em “sub” ou “super”, pois a tabela foi elaborada com preços de referência e que servem como critério. “Uma prerrogativa do RDC é ter o valor exato da obra, mas aguardar o processo licitatório para fazer a validação para não correr o risco de existir um preço menor e a empresa subir o valor”, destacou.
Último a subir na tribuna, o deputado Emanuel Pinheiro (PR) utilizou o tempo disponível para perguntas para “rasgar” elogios ao secretário. Antes da sabatina, Eder fez uma explanação de todos os projetos de obras em andamento, ou que ainda vão ser iniciadas. Também apresentou dados mais detalhados do anteprojeto do VLT, por ser o maior alvo de críticas dos parlamentares.
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